Sentido da vida
Ignoro totalmente qual seja.
Ignoro totalmente qual seja.
Em consequência de decisão esforçada — que interiormente qualifiquei de sábia —, dei comigo em acontecimento social.
No fim de conversa com amiga de há mais anos do que qualquer das duas tem, disse incidentalmente que iria ao médico. Ao que fui perguntada se se tratava de visita de rotina.
É o que é: pretexto não muito inspirado para partilhar com quem, ignorante como eu — mesmo que sejam pouquíssimos ou, até, ninguém —, desconheça este belo escritor brasileiro.
Chegada à terra (não lhe chamo berço, não, por razões estéticas) da democracia, dos direitos humanos, as notícias não espantam, mas revoltam.
Infelizmente deu tudo certo. Regressei, pois.
Esta contaram-me, como se verdadeira fosse: eu acreditei.
É a primeira vez que venho ao Brasil para estar sobretudo com brasileiros.
Vocês já ouviram dizer por aí que o lugar da mulher é no fogão. Também já ouviram dizer que o lugar da mulher não é no fogão. Que diabo, onde é afinal o lugar da mulher? Antes de mais nada, o lugar da mulher, como o do homem, é na vida. E vida é uma porção de coisas. Ninguém é melhor do que ninguém porque faz isso ou aquilo. O importante é fazer bem o que se faz, ter prazer naquilo que se faz.
O sentido é o literal.
Muito se aprende, mesmo quando já se está fora de época. Questão de querer.